UM CANTO POR TI
Vejo-me só, vertendo amargos prantos,
Na vida sigo em dores, consumido.
Ecoa em mim o timbre dos teus cantos,
Em oitavas notas de um amor perdido.
Soluços calo em véus já tão distantes,
E à mente trago o bem que mais anseio:
Que o tempo, vil, não roube o amor constante,
Ainda que ausente, cobre-me em teu seio.
Nas flores vejo a imagem de teu vulto,
Reflexo da beleza em formas puras.
Da cor e do perfume brota o culto,
Suave encanto em doces, ternas curvas.
Tua face, em minh’alma, é o meu construto:
Memória tua adoça as minhas duras.