DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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ET COR MEUM VIGILAT

 

Eu durmo, e meu coração vela

Em longas e intermináveis noites.

Acordada, minha alma ansiosa espera,

Sentindo as dores de cada açoite

Causado pela demora da provável chegada

Da linda rosa perfumada, lançada

No vão da minha janela.

 

Rosa desejada de outro coração,

Que geme e chora de amores por ela.

Fez-se ele o seu próprio guardião,

Fez-se ela, das flores, a mais bela!

Sensível o seu falar, terno o seu ouvir.

 

Difícil é a vigília dolorosa, imposta,

De nunca poder guardá-la

Neste coração aqui.

 

Eu durmo, e meu coração vela,

Ainda que você, donzela, nunca me atire uma flor.

Serei um tolo mentecapto, sempre à tua espera,

De Portugal, rosas azuis, brancas ou amarelas.

 

E, em meio a essa aquarela,

Surge uma rosa com amor.

Rosa, para que te espero?

Se o guardião a mantém presa em seu castelo,

Teu coração é o martelo

Que esmiúça os sonhos que, na vida, eu anelo.

 

Jeovan Rangel

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 04/06/2020
Alterado em 24/08/2025