Grita e chora, minha alma, tua solidão!
Pelas fráguas recentes derramadas sobre ti.
Lamenta-te com dor pelos rasgos de um amor
Feitos por aço frio nas paredes do teu coração.
Lastima-te, durante a noite, todos os teus ais,
Que perturbam teu sono, não te deixando dormir.
Diz-lhe que esconda as estrelas e a lua,
Pois não haverá inspiração capaz de tua dor lenir.
Deixa que o frio congele teus gritos na noite escura,
Para que não te sintas só na madrugada fria.
Pois, em todas as outras, quando a tristeza te tocar,
Terás o ecoar dos teus gritos como companhia.
Toma o silêncio por teu confidente seguro,
Olha o infinito, penetra o negror dos céus.
Assiste ao julgamento a ti imposto pela vida,
E, de forma resignada, assenta-te no banco dos réus.
Jeovan Rangel