DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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ULTIMO ATO

Na escuridão do fechar dos meus olhos

Surge tua imagem insubstancial em minha mente.

Para vê-la, por tempo indeciso e apertado,

Aquilo que os olhos veem, o coração deseja e sente.

 

Deixo-me guiar na penumbra pelo teu sorriso,

Até segurar tuas mãos firmes, estendidas a mim.

Surge um mundo, cenário onde dramatizo

A mais linda das peças: “Eternidade e amor sem fim”.

 

Vejo-te indo em direção ao mais escuro dos lados,

Tuas formas aos poucos dissolvendo-se na sombra.

Apego-me a ti, para que me leves arrastado,

E que o fim do meu ato não seja a morte por tua rejeição.

 

Ao abrir dos olhos e ascender das luzes, descem-se as cortinas!

Fim do último ato, de volta à realidade da primeira cena.

O florescer de um grande amor — essa é minha dor, minha guilhotina,

Pois ocupar o coração que me deseja, a vida me condena.

 

Jeovan Rangel

 

 

 

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 03/06/2020
Alterado em 24/08/2025