Vai, saudade, me leva pra longe,
leva dela o perfume e o bronze.
Leva os gritos que gelam a aurora,
deixa só o olhar que no céu me ancora.
Vai, saudade, me leva os lamentos;
suporto a ingratidão, não suporto o tormento.
Leva a sombra de um amor esquecido,
leva os restos de um sonho perdido.
Vai, saudade, me leva embora,
leva o vestido que a noite decora;
por ti, em silêncio, minh’alma chora...
E que leves também o que adora,
num beijo levado no vento corrido,
com gosto de amora e chiclete querido.
Autor: Jeovan Rangel