Imagino o desvelar do teu corpo,
Peça a peça, ao chão se desfaz.
Rasga o infinito em segredo absorto,
Onde a razão se perde, se desfaz.
Negam-se as verdades que o mundo sustenta,
E o sonho se cumpre em experimentação.
Loucos desejos, na carne violenta,
Revelam-se em curvas, febril tentação.
Tua nudez é música acesa,
Lampejo contínuo em noite sem fim;
Minha respiração perde a firmeza,
E o peito se funde em calor dentro de mim.
Corpo molhado — orvalho em flor,
Cintila gotas no universo meu.
Cria um mundo de esplendor,
Onde o prazer se revela e cresceu.
Misturam-se os corpos na trama da cama,
Audaz é teu gesto, teu cheiro inflama.
Provocas-me em febre, em ardente loucura,
E a boca me tomas, em beijos de mel,
Sufoco de fome, vertigem tão pura,
Que me arrebata ao terceiro céu.
Minhas mãos retornam à carne macia,
Aveludada, fragrante, sutil.
Como gazela em cio, ousadia,
Teu corpo me envolve em desejo febril.
Aprendo contigo os passos primeiros
Do ato sagrado, do amar revelado.
E cada centímetro em beijos inteiros
No teu corpo orvalhado é por mim venerado.
Jeovan Rangel