A dor que invade e fere a minha alma
É porque te amo além do coração.
Tomaste o todo, roubaste-me a calma,
Deixando apenas luta e perdição.
Como viver feliz nesse engano,
Se a vida em mim perdeu todo sentido?
Sem teu calor, sem teu toque humano,
Sou sombra errante, vazio consumido.
Como existir sem teus lábios tocar,
Beijar-te os olhos como eu sempre fazia?
Perder-me em ti, no teu corpo ficar,
E repousar no depois, em melancolia.
Teu corpo lascivo em meus braços descansava,
Flor e fera na mesma tentação.
E em meus olhos a loucura reinava,
Entre desejo, ternura e paixão.
São procelares lembranças ardentes,
Momentos idos que não voltarão,
Mas guardo em mim, vivos e latentes,
Teus beijos acesos, tua promessa em vão.
Como apagar o espelho da alma,
Que reflete o traço do teu corpo nu?
Como arrancar da pele a febre calma
Do cheiro da boca que tanto seduz?
Em mim transborda o desejo sem freio,
E esse amor, sobre-excitado, é dor.
Não é escolha, é penar, é anseio,
É penitência viver esse amor.
Jeovan Rangel